(Fonte: redimindo, via ideologia-natural)
Petê de Oxum, no Candomblé Casa Branca
Nesta aquarela do pintor Carybé, é reproduzida uma festa em homenagem a Oxum, na qual é servido o Petê ou Ipetê, um de seus pratos preferidos feito de inhame com camarão cozido no dendê. Vemos uma cena em que o ritual é feito no “barco da Oxum”, uma construção em alvenaria na forma de um barco localizada na entrada do terreiro. Esta cena é significativa, pois se sabe que na África muitos dos capturados que embarcavam para serem vendidos no Brasil como escravos eram obrigados a dar voltas na “árvore do esquecimento” para que perdessem (à força de alguma suposta feitiçaria) seus elos com o passado.
Nesta festa e na aquarela que a retrata, vemos, porém, que as memórias foram aqui reconstruídas ao redor de uma “outra árvore sagrada” (a da lembrança?) plantada dentro do barco. É inevitável, portanto, não comparar esta “embarcação” de Oxum com o navio negreiro do qual parece ser uma antítese. O barco de Oxum, divindade das águas, está “preso” à terra, porém reconstituiu o que foi trazido na mente dos africanos em sua travessia pelas águas do Atlântico. Na proa vemos as quartinhas dos orixás como que sinalizando que com os homens no barco vieram seus deuses. A força do sagrado aqui surge como forma de resistir à experiência dispersiva do desterro e estabelecer novos diálogos com presente.
(via braaazil)